A violência é algo que me deixa pasmo em todos os seus nuances. Semana passada estava dirigindo num trecho sinuoso de uma rodovia que sai de São Paulo, o trânsito estava bem carregado e não havia alguma visão após as curvas. Para completar, como faço esse caminho várias vezes, sabia que haveria um farol logo a frente. Vejo um celta passar para a minha faixa e colar na traseira, buzinando para passar. Atitude muitas vezes típica de quem gosta de tunar o carro, como era o caso. Dar passagem seria a atitude prudente, entretanto mantive-me onde estava pois sabia muito bem que se ele me passasse ficaria preso atrás do próximo carro. Pois bem, depois de insistir mais um pouco, o cara mudou para a outra pista e, após algumas belas ultrapassagens pela direita e de fazer um zigue-zague conseguiu voltar para minha faixa, na qual parou no farol vermelho, logo a minha frente. Antes disso, é claro, fez questão de me mostrar o dedo do meio e brecar o carro abruptamente. Percebi nitidamente em seu rosto a raiva subindo quando percebeu minha risada sarcástica.
Isso é algo para se pensar. Eu poderia ter morrido por uma besteira dessas, o infeliz poderia estar armado e bla bla bla. Como várias vezes já aconteceu, chegando ao cúmulo do recente caso no centro-oeste em que o motorista, além de balear e matar um bebê, não se deu por satisfeito e foi a delegacia prestar queixa de tão irritado que ficou com o incidente no trânsito. Não é difícil extrapolar tal fato para as mais absurdas e tolas barbáries. A raiva parece ser algo inerente ao homem, inicialmente singela, praticamente imperceptível, e que com o tempo vai se enraizando, petrificando, destruindo a própria essência do ser. Tento me policiar muito em relação a minha própria raiva, não é algo fácil. Entretanto, não quero ser mais um neurótico consumido pelo ódio. Desses, o mundo já está cheio e, infelizmente, tenho a triste certeza de que seremos consumidos por isso - mais cedo ou mais tarde.
domingo, 22 de novembro de 2009
Violência
Escrito por Lucas às 23:52 0 comentários
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
UNIBANdida
Não foi nada surpreendente o que aconteceu. O desrepeito a liberdades individuais está amplamente disseminado, em alguns ambientes de uma forma menos ou mais hipócrita. Isso é só mais um indício, entre tantos, do declínio da nossa sociedade e da nossa educação. É difícil recordar algo tão ridículo quando a expulsão da menina com direito a nota oficial e o subsequente recuo. Seja ela realmente uma "puta" ou uma "fetichista". "Vagabunda" ou "doente mental". É difícil saber em qual das alternativas a reação da turba e do inteligente conselho universitário é pior.
Escrito por Lucas às 22:38 0 comentários
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Decência não te leva a lugar algum, meu filho
Sempre considerei o fechamento do Bahamas há uns tempos atrás uma verdadeira hipocrisia. Todas as autoridades sabiam que aquilo era um puteiro, todavia faziam vistas grossas. Por que será!? Bastou o infeliz do Oscar Maroni "admitir a culpa no cartório" em Rede Nacional para se foder, afinal somente as mentiras sutis têm lugar na nossa justiça.
Ontem caí por acaso em seu blog e, acreditem, em um mesmo post mistura fotos do seu próprio pau, fotos de uma camionete tunada e longas considerações sobre liberdades sexuais construídas por uma lógica acéfala e entremeadas por erros grotescos de português. Mas não termina por aí, não. Ele ainda posa do lado do seu urologista-japonês-com-o-dedo-em-riste e em uma foto artística enfiando a cabeça numa privada.
Qual o veredito? Oscar Maroni Filho para prefeito! É isso que dá um hipomaníaco com grave distúrbio de caráter. Fica rico ou vira político, pois essa personalidade no mínimo marginal é perfeita para lidar com o status quo. Mesmo que não atinja o palácio das Indústrias, ano que vem ele estará com um novo bordel. Só que dessa vez as putas terão de atravessar a rua para trabalhar, é claro.
Escrito por Lucas às 04:25 0 comentários
Good - "Um homem bom"
A tradução do título para o português não é muito boa, o que é regra, entretanto, esse é um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos. Preciso admitir que o aluguei com o nariz torcido, mais por falta de opções do que por qualquer outro motivo e o resultado foi inesperado e feliz. É um drama pungente sobre um homem decente levado por uma coincidência sádica: o Führer adorou seu livro. O que fazer em uma época na qual não se cresce sem apoiar o partido nazista? O pequeno traço de moralismo revelado pelas atitudes da amante não prejudica a história, chega até a ser divertido. Vale a pena assistir:
Escrito por Lucas às 03:56 0 comentários